• Adriana Moura

Adoção Homoafetiva: um sonho realizado

Desde os primórdios da civilização, a adoção sempre despertou a atenção pela sua característica de relação afetiva, na qual uma criança é recebida por uma família (geralmente carregada de uma sensibilidade extremada na busca de um vínculo amoroso) que proporciona a ela um acolhimento caloroso com o propósito de se iniciar uma nova história de vida. Antes compreendendo sempre um ato praticado por um casal formado por homem e mulher, o que se leva em consideração nos casos de adoção é primordialmente o afeto, o pertencimento, o envolvimento emocional que impulsiona as pessoas que participaram do processo de construção de um novo relacionamento familiar.


Considerando o avanço da sociedade, bem como as novas configurações da entidade familiar, foi dado um passo muito importante no sentido de promover a igualdade, a liberdade e a dignidade da pessoa humana. Hoje, já não há que se falar em impedimento à adoção de crianças por pares homoafetivos, em observância às inúmeras evidências científicas que concluem pela inexistência de qualquer impacto no desenvolvimento da criança.


E quem realizou esse sonho tão esperado alguns anos atrás foi uma dupla super querida: o arquiteto Luiz Maganhoto e o designer Daniel Casagrande, feras no mercado quando se trata de arquitetura e decoração.


Eles, que durante tanto tempo compartilharam vida pessoal e profissional, sentiram falta de algo a mais e deram vazão à sincera vontade de ampliar a familia.

Hoje têm dois filhos: Antonella de 5 anos e Lorenzo de 03 anos. Antonella é mais dependente, intensa, extremamente carinhosa e dorminhoca. Já Lorenzo é mais responsável e maduro, amoroso e disposto. Questionados sobre o processo de adoção, o par conta que a espera é longa para um perfil familiar que desperta ainda mais exigências do que as inúmeras já existentes na extensa burocracia jurídica brasileira, mas jamais pensaram em desistir. Sabiam que as crianças estavam esperando por eles e não poderiam decepcioná-los.


Quando perguntei sobre como as crianças lidam com o fato de terem dois pais, eles foram enfáticos em afirmar que isso nunca suscitou qualquer questão fora da mais absoluta normalidade. As crianças têm perfeito entendimento da sua condição e para eles isto é completamente normal. O fundamental é que se sentem plenamente amados, queridos e cuidados.


O par optou por não ter uma babá nem quando as crianças chegaram à casa, ainda pequenas. Preferiram estabelecer um vínculo mais intenso e estreito para realmente ressaltar que eram os seus pais amorosos e assim transmitir a segurança de que precisariam desde cedo. O desafio de conciliar trabalho e vida familiar ajudou a tornar as crianças mais espertas, maduras e um pouco mais independentes. "Acreditamos, pela experiência de outros casos conhecidos, que as babás deixam as crianças dependentes até para amarrar os sapatos. Os nossos filhos são muito independentes, já usam o banheiro sozinhos, se alimentam sozinhos... somente para o banho é que ainda precisam de alguma ajuda. Temos babá uma vez ou outra para ficar com eles quando temos eventos a noite, mas ela em geral não dorme em casa e essa não é a regra geral", dizem.


Luiz e Daniel sentem-se tão realizados com a experiência que fazem planos de adotar outra criança no futuro. Apaixonados pelas marcas Burberry e Armani, dizem que existe ainda a possibilidade de se mudarem para o exterior em alguns anos, o que será uma experiência ainda mais engrandecedora para as crianças.


A experiência de Luiz e Daniel é uma oportunidade única de reflexão e pode servir de exemplo e motivação para outras famílias em situação semelhante.


Beijos e até a próxima!

0 visualização