• Adriana Moura

Doença Celíaca, a descoberta de um novo mundo

Atualizado: Ago 1

Para quem me acompanha nas redes sociais, sabe que em março de 2018 fui diagnosticada como portadora de doença celíaca, também conhecida comumente (e até de forma imprecisa) como "intolerância ao glúten". Sim, depois de tanto tempo, só agora descobri, imagem só...


O que no começo foi um choque pra mim (fiquei triste, chorei, foi horrível...), depois me motivou a encontrar meios de ajudar outras pessoas nessa condição. Foi quando decidi que a InPllace começaria a oferecer um serviço de consultoria e assessoria específica para portadores da doença celíaca, como eu.


Um evento neste último final de semana me motivou a falar um pouco sobre essa patologia tão comum (estima-se que só no Paraná 150 mil novos casos são diagnosticados por ano), mas também tão desconhecida, já que essa pode ser uma oportunidade de ajudar pessoas que passem pela mesma situação.


A doença celíaca é uma condição crônica, autoimune, que afeta o intestino delgado de adultos e crianças geneticamente predispostos. A doença causa atrofia da mucosa do intestino, causando prejuízo na absorção dos nutrientes, sais minerais e água.


A doença celíaca é diferente da sensibilidade ao glúten ou intolerância ao trigo. Se você tem sensibilidade ao glúten, pode ter sintomas semelhantes aos da doença celíaca, como dor abdominal e cansaço. Ao contrário da doença celíaca, a sensibilidade ao glúten não danifica o intestino delgado.


O que é o Glúten?

O glúten nada mais é do que uma proteína de tamanho grande, formada por duas proteínas menores chamadas gliadina e glutenina. Ele é encontrado junto ao amido, em cereais como trigo, centeio, cevada, triticale e malte.


Essa substância possui diferentes finalidades na produção dos alimentos. No processo de fermentação do pão, por exemplo, o glúten contido na farinha de trigo é responsável pela permanência dos gases no interior da massa, fazendo com que o pão aumente de volume e não diminua após esfriar.


Tipos:

A doença celíaca pode ser dividida em três tipos, sendo eles:


1) Clássica

A doença celíaca clássica é comum na infância, entre o primeiro e terceiro ano de vida, quando se introduz alimentação à base de papinha de pão, sopinhas de macarrão e bolachas, entre outros industrializados com cereais proibidos.


Caracteriza-se pela diarréia crônica, desnutrição com déficit do crescimento, anemia ferropriva não curável, emagrecimento e falta de apetite, distensão abdominal (barriga inchada), vômitos, dor abdominal, osteoporose, esterilidade, abortos de repetição, glúteos atrofiados, pernas e braços finos, apatia, desnutrição aguda que podem levar o paciente à morte na falta de diagnóstico e tratamento.


2) Não Clássica

Esse tipo é caracterizado por apresentar poucos sintomas e aqueles gastrintestinais são discretos. Ocorre, por exemplo, anemia resistente a reposição de ferro, irritabilidade, fadiga, pouco ganho de peso e estatura, obstipação crônica, manchas no esmalte dos dentes, esterilidade e osteoporose antes da menopausa.


3) Assintomática

Nestes casos não há manifestação aparente. E apenas com pesquisa de anticorpos em familiares de primeiro grau, se faz o diagnóstico. A doença assintomática se não tratada pode evoluir com complicações como o câncer do intestino, anemia, osteoporose, abortos de repetição e esterilidade.


O que causa a doença celíaca?

A doença celíaca ocorre devido a presença geneticamente determinada de anticorpos produzidos pelo sistema imunológico contra o glúten. Com a agressão à mucosa intestinal, que é variável de pessoa para pessoa, estes os anticorpos atacam a proteína, causando a inflamação no local, atrofia das vilosidades intestinais e consequente deficiência de absorção de nutrientes.


Os pesquisadores não sabem exatamente o que desencadeia a doença celíaca em pessoas em risco que comem glúten durante um longo período de tempo, mas é possível que isso seja genético. Cerca de 10 a 20% dos parentes próximos de pessoas com doença celíaca também são afetados.


Fatores de risco

A doença celíaca pode afetar qualquer pessoa. No entanto, tende a ser mais comum em pessoas que têm:

  • Um membro da família com doença celíaca ou dermatite herpetiforme

  • Diabetes tipo 1

  • Sindrome de Down ou Síndrome de Turner

  • Tireoidite autoimune

  • Colite microscópica (colite linfocítica ou colagenosa)

  • Doença de Addison Artrite reumatóide


Sintomas de Doença celíaca

Os principais sintomas da doença celíaca são:

  • Dor abdominal

  • Diarreia

  • Flatulência

  • Distensão do abdômen

  • Fraqueza

  • Perda ou dificuldade para ganhar peso

  • Queda de cabelo frequente

  • Diminuição do apetite

  • Lesões de pele

  • Anemia

  • Deficit de crescimento em criançasInfertilidade.

Algumas pessoas com doença celíaca não apresentam sintomas ao diagnóstico. Os sintomas também podem variar muito e são diferentes entre adultos e crianças.


Crianças

Em crianças com menos de 2 anos de idade, os sinais e sintomas típicos da doença celíaca incluem:

  • Vômito

  • Diarréia Crônica

  • Barriga inchada

  • Falha em prosperar

  • Pouco apetite e perda de massa muscular


Ajuda Médica

Não deixe de consultar o seu médico antes de tentar uma dieta sem glúten. Se você parar ou mesmo reduzir a quantidade de glúten que você come antes de fazer o teste para a doença celíaca, você pode alterar os resultados do teste para um falso positivo.


Quais exames detectam a doença celíaca?

Os principais exames para diagnóstico da doença celíaca são:

  • Exames de sangue com dosagem de anticorpos específicos para a doença (ex: Anti-endomísio e Anti-transglutaminase)

  • Biópsia do intestino delgado realizada durante exame de endoscopia digestiva alta - observa-se atrofia da mucosa do intestino e aumento no número de células inflamatórias (linfócitos) no intestino do paciente.


Tratamento de Doença celíaca

O principal tratamento é a dieta com total ausência de glúten; quando a proteína é excluída da alimentação os sintomas desaparecem. A doença celíaca não tem cura, por isso, a dieta deve ser seguida rigorosamente pelo resto da vida. É importante que os celíacos fiquem atentos à possibilidade de desenvolver câncer de intestino e a ter problemas de infertilidade.


A maior dificuldade para os pacientes é conviver com as restrições impostas pelos novos hábitos alimentares. Os pacientes devem ser orientados quanto à contaminação cruzada na preparação ou produção de alimentos e, até mesmo, medicamentos. Nos primeiros meses do diagnóstico, deve-se, também, evitar ingestão concomitante de leite e derivados pela possibilidade de intolerância a lactose secundária.


A avaliação de um nutricionista especializado pode ajudar no aprendizado de mudança dos hábitos alimentares. É de grande importância, também, se habituar a ler e entender os rótulos dos alimentos.


Muito importante: nem todo alimento cujo rótulo indica "não contém glúten", é realmente confiável, por isso é importante ficar muito atenta aos riscos de contaminação cruzada, muito comum quando a mesma empresa fabrica produtos que com e sem glúten. Na dúvida, podemos entrar em contato com o SAC da empresa para informar-se sobre o processo de fabricação.


Aqui no Paraná a Acelpar (Associação de Celíacos do Parana) é uma instituição totalmente confiável e que tem dado enorme respaldo aos celíacos com orientações sobre estabelecimentos e alimentos seguros.


Gluten Free Brasil

Nos dias 12 e 13 de Julho de 2019 aconteceu em São Paulo/SP, o Congresso Gluten Free Brasil, que abordou vários temas relacionados à doença celíaca e à dieta livre de glúten em várias palestras ao logos dos dias de evento. Eu, aproveitei que estava lá e fui em alguns lugares seguros para celíacos e quero compartilhar essa experiência com vocês.


1) Colher de Mel Sem Glúten

Servem o melhor pão francês e cachorro quente que já comi! O restaurante fica na Rua Indiana, 47, no Brooklin, em São Paulo/SP.

Cachorro quente sem glúten no Colher de Mel

Pão francês quentinho e sem glúten no Colher de Mel

2) Grão Fino Restaurante

Serve café da Manhã, Almoço e Jantar e fica na Rua Nebraska, 90, Brooklin Novo.

Menu do Grão Fino, restaurante sem glúten de São Paulo

Hambúrguer sem glúten delicioso no Grão Fino

3) Nambu Cozinha de Raiz

Serve almoço e jantar deliciosos e fica na Rua Alagoas, 651 em Higienópolis, pertinho da Rua da Consolação, região de bares e restaurantes de São Paulo.

Nambu Cozinha de Raiz conta com linda decoração

Jantar delicioso com direito a cervejinha no Nambu

No começo, confesso que foi bem difícil a adaptação, mas hoje posso dizer que estou bem engajada no tema, conheço lugares seguros, produtos deliciosos e adequados, as melhores marcar, e acima de tudo pessoas incríveis nesse setor que tanto cresce a cada ano. E meu interesse é tanto que em breve espero ter novidades aqui no site para pessoas que, como eu, precisam eliminar o glúten de suas vidas ou até mesmo para aqueles que fazem a opção por uma dieta sem glúten.


Espero que eu tenha ajudado vocês de alguma forma com um pouquinho de conhecimento sobre o tema.


Beijocas, e até mais!

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